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13.5.10
outro dia vi um documentário sobre mães que perdem seus filhotes. elas choravam como sabiam, carregando os corpos de seus rebentos na tentativa de reanimá-los, de salvá-los apenas mais uma vez.
não importa se a mãe é foca, leoa, cadela, chimpanzé ou humana. é mãe. não sei o que é ter esse papel. só sei que esta é a única loucura justificável que conheço.
eu poderia ficar nua, do avesso para o mundo. posso vomitar meu estômago inteiro e até cortar minhas artérias para usar o sangue pressurizado como tinta para palavras finais. posso me desvalorizar e me denegrir de todas as formas imagináveis. contanto que para a minha mãe eu ainda seja um filhote.
falar de mãe é tabu, é proibido. existe aquele discurso de amor incondicional, que não passa de uma aberração. as mães são tão egoístas que preferem comer os filhotes a enxergá-los como seres autônomos, que apenas lhe tomaram a barriga emprestada sem pagar aluguel. filhos engordaram as mães, que dividiram o alimento e o oxigênio por um fio e nove meses. o filho se vai e o vazio fica. o vazio tem forma de criança, logo ela é da mãe, é a causa, sendo sua responsabilidade reparar os danos causados e a falta de atenção com quem emprestou o próprio corpo, por capricho da natureza... (que ora ora, é mãe!)
detida nesse olhar..... ou na falta dele. amo desesperadamente a minha mãe.
nascer foi como cair de bunda e perder o fôlego. foi soco no estômago, tontura, frio, luzes confusas. muito desconforto antes e necessidade urgente de adaptação depois. era isso ou morrer de realidade! e o tal instinto inato não nos permite fazer isso com tanta autonomia, senão a vida na terra seria um fiasco.
tenho desejado morrer, mas temo desaparecer, assim como surgi, em meio à dor e êxtase.
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