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21.1.08

ele entra.
coloca o violino em minha mesa. não fala nada. nem boa tarde. fico em silêncio. afinal, o interesse é dele. então ele fala, quanto? chuto, tanto. ele coça a barba. esse violino deve ter história, chuto. ele me olha. seu olhar me incomoda. ele pega o violino e sai.
mas antes de fechar a porta, solta:
- aqui cheira a merda.
- é do ralo.
- não. não é não.
- claro que é. o cheiro vem do ralo.
- olha lá - levanto o caminho até o banheirinho -olha lá, o cheiro vem do ralinho.
ele ri coçando a barba.
- quem usa esse banheiro?
- eu.
- quem mais?
- só eu.
ele continua com o sorriso no rosto, solta:
- e então, de onde vem o cheiro?



o cheiro do ralo, em resposta à interrogação da carol.