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23.4.07

"maldito o dia em que recebi a vida!, exclamei, cheio de agonia. maldito criador!
por que você me fez um monstro tão horroroso que até mesmo você foge de mim repugnado? deus, em sua piedade, fez o homem belo e atraente, segundo sua própria imagem, mas a minha forma é uma asquerosa contrafação da sua, mais horrível ainda quando comparada com a sua. satanás tinha seus companheiros, os demônios, para admirá-lo e encorajá-lo, mas eu sou solitário e abominado."

(...)

"maldito, maldito criador! por que eu vivo? por que não extingui, naquele instante, a centelha de vida que você tão desumanamente me concedeu? não sei! o desespero ainda não se apoderara de mim. meus sentimentos eram de raiva e vingança. quando a noit caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. dei vazão à minha angústia por meio de horrorosos uivos. era como se a fera houvesse quebrado suas correntes. oh! que noite miserável passei eu! sentia um inferno devorar-me, e desejava despedaçar as árvores, devastar e assolar tudo o que me cercava, para depois sentar-me e contemplar satisfeito a destruição. declarei uma guerra sem quartel à espécie humana e, acima de tudo, contra aquele que me havia criado e me lançara a esta insuportável desgraça!"


frankenstein - mary shelley