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8.3.05

era uma vez uma menina.
não uma menina qualquer, muito menos uma menina padrão.
uma menina que sabia quem era, mas não queria ser mais.
ela escrevia muito, e nos escritos representava a outra dela.
e se reinventava sempre que as novidades enchiam o saco.
um dia, percebeu que não precisava mais do mundo do lado de fora de sua porta
se trancou lá dentro, jogou a chave pela janela
e escreveu até que a tinta da caneta bic verde acabasse.
começou a reler tudo e viu que faltava alguma coisa naquele texto...
apesar de ali estar tudo o que ela sempre quis ser, e todas as personalidades q ela sempre quis ter, e os sentimentos que gostaria de sentir,
faltava alguma coisa.
e, de repente, soube o que era.
todos os seus desejos estavam ali. menos um.
justamente aquele que preencheria o vazio.


foi quando ela percebeu que não podia sair e comprar outra caneta.


furou a ponta do dedo com uma agulha e começou a escrever com as hemácias.
e escreveu até que a tinta acabasse.
e o vermelho de seu corpo passou pro papel, e o branco do papel passou para o seu corpo...


FIM.

[por luzer, via msn. com umas poucas linhas acrescentadas por mim]